Prática de Ensino: Educação da Correção

www.alumbradocali.com.co/_Images/img_Iluminar.gifSer professor de filosofia não é uma tarefa fácil, ainda mais quando se espera da filosofia, da educação, dos professores, que salvem os adolescentes, porque eles precisam ser encaminhados para um “bom” caminho, para um futuro cheio de esperanças e alegrias – talvez esse ideal de mundo precise ser questionado, quem sabe não seria interessante perguntar para os próprios adolescentes o que eles querem. Há um tempo atrás um colega meu me disse que a tarefa do professor de filosofia é dar aos seus alunos “a dor do esclarecimento”, ou seja, a tarefa do professor de filosofia é esclarecer para que os alunos sejam esclarecidos e, assim, fazerem por si mesmos – servirem-se corajosamente do seu entendimento. Entretanto, não seria uma contradição ensinar alguém a ser esclarecido, isto é, a se auto-determinar? É possível ensinar o esclarecimento? É uma questão que me inquieta, pois muito antes de esclarecer – se é que isso é possível -, parece que toda a tarefa de um professor de filosofia, seria corrigir; mas corrigir em relação ao quê? Não sei… parece que a tentativa de corrigir algo pressupõe que esse algo estava certo e se desencaminhou, como se houvesse um fim humano, como se a tarefa do professor fosse conduzir o aluno ao seu fim… que fim é esse? Não sei… não sei… Aliás, estou quase certo de que toda filosofia é baseada na idéia de correção: Platão queria trazer à luz aqueles que haviam se cegado no mundo das sombras, Kant queria corrigir a nossa relação sujeito-objeto com a sua revolução copernicana, Nietzsche queria que o homem percebesse que ele é apenas meio para um super-homem, mas que para isso, ele precisaria perceber que o cristianismo enfraqueceu-o; ou seja, parece que todos esses filósofos queriam corrigir o homem. Ora, e nós professores o que fazemos de diferente disso? Quando creio que os meus alunos não possuem a habilidade de argumentação e me dou ao luxo de ensiná-la, o que eu estou querendo? Creio que estou pensando que com essa habilidade eles podem se dar melhor no mundo, mas que direito eu tenho para isso… Novamente estou caindo no paradigma do esclarecimento, pois o ensino está todo fundado na idéia de que estamos preparando os alunos para dar os seus passos sozinhos; entretanto, mais uma vez, eu me pergunto: “É possível esclarecer alguém?”. Acho que não, pois o esclarecimento é servir-se do seu próprio entendimento; talvez quando o aluno diz um não, ele está se servindo do seu próprio entendimento. Quando ele se revolta contra uma regra, ele está se servindo do seu próprio entendimento. Quando ele se nega a fazer uma tarefa, ele está se servindo do seu próprio entendimento… O que nós professores fazemos então? Desesclarecemos, pois corrigimos, encaminhamos, tutelamos, etc… Finalizo aqui dizendo, muito inquieto, que a ação do professor está fundada em uma ética da correção, fazendo com que os alunos encontrem o seu lugar no mundo, pois partimos do pressuposto que o aluno ainda não se achou… Isso não é a minha conclusão, é meramente uma aporia, o limite da minha razão… Uma questão a se pensar: “A idéia de Esclarecimento de Kant, e que influencia muito a nossa prática educativa, é possível?”.
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One Response to Prática de Ensino: Educação da Correção

  1. Diego Ribeiro says:

    Belas palavras, realmente no momento entendo que o esclarecimento é algo que se aprende sozinho, com uma pequena ajuda de pessoas bem entendidas, afinal todos os grandes pensadores se baseavam nas idéias de outros grandes entendidos, que seja Sócrates ou seu pai(um grande homem, correto em atitudes e pensamentos), com o passar do tempo idéias evoluem.

    Desculpe minha ignorância, se falei besteira me desculpe também, grande abraço.

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