Teatro Mágico

extraído de um blog que eu não lembro o nome
 
Harry Haller olha-se em um espelho quebrado onde contempla as suas diversas faces que nem ele mesmo conhece; mas que estão ali e fazem parte do seu ser. Depois de Descartes somos no mínimo dois, e depois de Nietzsche milhares. Definir uma pessoa é sempre uma tarefa difícil e sempre carregada de equívocos, pois em um mundo fragmentário nós mesmos somos fragmentos – um pedaço de si a cada momento, jamais tudo ao mesmo tempo, jamais uma unidade coesa. Talvez sejamos uma jaula onde diversos seres estão em constante conflito… A cada momento da vida libertamos um lobo que há em nós, e a nossa pobre razão sempre quer "paz", jamais silêncio a sós consigo mesma, pois o grito que vem de dentro ecoa, e acorda as diversas almas que brigam entre si em nosso ser.
 
Escrito em 08 de Novembro de 2005. 
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4 Responses to Teatro Mágico

  1. jonas says:

    hmmm.. eu acho que talvez seria mesmo, os sentidos.. mas diferente dos empiristas, que visualizam o ser como objeto, no caso de Bergson, se compreendi, o ser é sempre singular, e sempre que se analisa-o se menospreza sua imanencia e potencialidade, por que o ser só se revela num escala de tempo que, com seus acidentes e afirmações, testará seus impulsos, reações e potências em ato mesmo. Por isso, para ele, só a intuição do ser pode servir como ferramenta para a metafísica, pois qualquer análise fragmentará o objeto(a pessoa, o ser) em um espelho de teorias, apreensões, que serão imagens de um dado específico, mas não a característica imanente daquele ser em si, que pode num depois de outros fatos se modificar completamente, mas nunca deixando de ser aquele mesmo que sempre foi..
    acho q era isso..

    abração marcos!

  2. dover says:

    quantos lobos há que despertam em nós sem que desejemos, é a razão descontrolada? Muito lobo ainda virá, e todo sofrimento será pouco, e toda alegria vã…
    abraço enquanto um de meus está dócil.

  3. Marcos says:

    Certo Jonas, eu nunca li nada de Bergson; mas sei que Deleuze se utiliza muito dele… Tenho um pouco de dificuldade de entender o vocabulário deleuzeano – talvez pelo preconceitos que ganhei de presente do curso de filosofia da UFRGS -; mas entendo que pensar uma ontologia do imanente talvez seja pensar uma vida, uma existência que não tenha como fundamento qualquer tipo de plano transcendente, isto é, qualquer tipo de reflexão que meramente pensa nas condições de possibilidades da própria existência… quem sabe uma ontologia do imanente não seja um apelo aos sentidos?

  4. jonas says:

    e ae marcos… cara..to lendo introdução à metafísica, de Bergsonm em que ele cria de certo modo, uma ontologia do imanente, que posteriormente foi usada por Deleuze na sua filosofia…
    mas pelo que saquei, a intuição do ser guiando-o pelo devir do tempo constituí uma univocidade que dispensa verificações filosóficas, pois a diferença é a própria constitutora da singularidade de cada coisa… (não sei se me expressei, mas acredito que isso dialoga um pouco com o texto que posta-te..)
    estou viajando?

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